pra uma amiga
Desbravava o mundo com cuidado. Do tipo que dá medo.
A cabeça sempre endireitada demais, sempre pra frente. Do tipo que deixa os olhos fundos e certeiros.
Olhos que também vagam, que procuram as palavras junto com a boca enquanto mexe nos cabelos livres.
Não existiria outro cabelo que coubesse. Do tipo que moldam o rosto de um jeito leve.
Eu não tenho medo de voce, o mundo é que devia ter.
A confiança liquida escorre pela autenticidade que te cabe tão bem. Do tipo que assusta.
Assombro. Se te pudesse nomear com uma palavra.
Assombro doce, desses que te surpreende a cada dia, pro bem, pro bom.
Algo em voce desconhece o medo. Sim, tenho certeza que essa parte não é sua. Vem de algo grande.
Como te pedir pra ficar, pra voltar?
Não, não ouso jamais privar esse mundo azul de te conhecer, te viver.
Do tipo que se compartilha, e assim, compartilhada, leva o mundo nas costas.